terça-feira, 31 de março de 2009

Blindness + Abrazos Rotos


Essa semana mal começou e já posso dizer que é uma "Semana de Cinema".

Ontem à noite, fui com a Rea, o Thomas, o Attila e uma amiga dele ver "Ensaio Sobre a Cegueira" (Blindness), que aqui foi chamado de "A ciegas". O filme, baseado no clássico de Saramago e dirigido por Fernando Meirelles, estreou no Brasil em setembro, mas só foi lançado por aqui esse mês. Eu até pensei em ver antes de vir, mas preferi esperar e ler o livro primeiro.


Nunca tinha ido ao cinema aqui, porque nao existe meia entrada pra entudante e o pouco desconto que dao ainda faz com que seja caro - o ingresso mais barato sai a 5,60. Mas o pessoal insistiu muito e no fim a Rea bateu o pé que me convidava. Em outras palavras, pagaria minha entrada. Eu falei que nao, que nao tinha nada a ver. Mas aprendi que também é falta de educaçao você se negar a receber uma cortesia de alguém que insiste em te proporcionar aquilo.

Além disso, eu tava louco pra ver o filme, porque o livro é incrível. Entao aceitei o convite e decidi que quando sobrar um dinheirinho eu retribuo a cortesia.

Foi bem legal. A adaptaçao foi fiel ao livro e o filme, independente disso, é muito bom. Forte, inteligente, pesado. A fotografia é excelente.

O pessoal também curtiu bastante.



Já hoje de manha, mais um filme.



Dessa vez, de graça e aqui na faculdade, como já rolou antes. Fizeram uma sessao pra promover o novo filme do Almodóvar, "Los Abrazos Rotos", estrelado por Penélope Cruz.
O filme é interessante e tem boas atuaçoes. Mas nao foge dos temas recorrentes que o diretor espanhol sempre aborda nas suas obras: amor, traiçao, homossexualismo, cinema.




Depois da sessao, um roda de perguntas com o produtor do filme e 2 dos atores. Claro que todo mundo queria ver Penélope e Almodóvar, mas a primeira agora é famosa demais pra ter uma agenda disponível, e o segundo provavelmente deve estar divulgando o filme em outros países.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Botellón en mi piso


Sexta eu resolvi juntar a galera lá em casa e levar todo mundo de lá direto pra discoteca. Pensei que seria a melhor maneira de juntar as pessoas e cumprir a meta.

Serviu também pra inaugurar a casa e convidar os amigos para conhecê-la, já que desde que me mudei, há quase 2 meses, nao tinha feito nenhuma reuniao no novo apê.

Foi uma noite divertida, apesar do trabalho normal que se tem quando se convida pessoas. Mas depois de ter morado 1 ano em república, eu já estava sentindo a maior falta de ter os amigos frequentando a casa sempre. Espero que possamos fazer "botellones" mais vezes por aqui também.

Todo mundo ficou encantando com o apartamento, principalmente pela sala, que é enorme, e pelas varandas, tanto a da sala quanto a que eu tenho anexa ao meu quarto. Ah, pela cozinha também, que é enorme. E eu, claro, falei que tinha ficado deslumbrado quando fui visitar o lugar, apesar do quarto ser super pequeno.

Antes de ir embora, a galera ainda "assinou" na geladeira (e eu senti saudades das paredes desenhadas da rep).



No fim das contas, foi bem menos gente do que eu esperava. Muitos estavam viajando e outros deram as desculpas educadas de sempre pra nao ter que se deslocar. Apesar de estar curtindo com o pessoal, eu já tava certo de que nao seria possível conseguir as 15 pessoas.

Até que chega uma amiga italiana da Bruna com mais 5 conhecidos, todos italianos. Foi a salvaçao! De 7, o número de presentes saltou a 13. Mas ainda faltavam 2 pessoas. No caminho até a balada, 2 italianos desistiram de ir, e quando eu já tava desesperado por nao conseguir a meta por pouco, apelei pra um grupo de desconhecidos na fila e coloquei eles pra dentro pela minha lista.



18 pessoas no total. Yeah! "Os 18 do Bernardo", como diria o Marquinhos.

E depois do "esquenta" lá em casa, a gente fez a festa na discoteca até as 4 da manha.

Yes, We Can!


Ao melhor estilo Obama: Consegui!

Ou melhor, conseguimos!

Nesse fim de semana, por fim, consegui cumprir a meta na Reina Bruja e coloquei mais de 15 pessoas pra dentro. E, o melhor, duas vezes! Na quinta e na sexta. Agora espero, ansioso, pelo pagamento: 120 euros!

Foi difícil e super estressante, mas no final deu tudo certo. Valeu a pena!

E eu nunca teria conseguido isso sem a ajuda dessas pessoas aí da foto acima. Amigos queridos que, além da companhia pra quase todas as horas e muitas gargalhadas, têm me ajudado muito, e sem pedir nada em troca Mari, Attila, Tali, Marquinhos, Tanain, Bruna e Thomas. (É, quase todo mundo é brasileiro. E nao posso achar que seja à toa...)

Entao, a única coisa que posso fazer é agradecer: pela presença, pela ajuda e, principalmente, pela amizade.


Quanto ao "salário", nao é lá grandes coisa, ainda mais que tou há quase 1 mês trabalhando lá. Mas é melhor que nada. E virá numa hora excelente, já que esse mês eu acabei gastando mais do que o planejado e estava quase no vermelho.

O único problema é que, dos 120 euros, 20 foram investidos num pretexto pra juntar as pessoas na sexta.

E, do que sobra, uma boa parte terá de ser gasta em roupas "elegantes" e em um par de sapatos. Porque se for pra continuar como promoter, nao vou poder enrolar meu chefe quanto à necessidade de comprar roupas por mais um mês. E, muito menos, tenho saco pra ser barrado de novo na porta (só por curiosidade, nao me deixaram entrar esse sábado mais uma vez, só porque nao estava de sapatos. Só nao me estressei porque no fim achei ótimo, já que nao tinha as 15 pessoas, tava morto de cansado e doido pra voltar pra casa).

quinta-feira, 26 de março de 2009

El metro que todos quisieran tener


"O metrô que todos quiseram ter, vive em Madrid".

Esse é o slogan de uma das campanhas do Metro de Madrid, divulgada entre o final do ano passado e o comecinho desse ano.


A afirmaçao é um tanto presunçosa, principalmente levando em conta que o metrô de Londres tem uma rede mais extensa, e o de Viena é impecavelmente limpo.

Mas, comparando com a rede de qualquer cidade brasileira (das poucas que tem), o metrô daqui é de dar inveja.

Sao 12 linhas, sendo que 11 passam pela cidade e 1 circula apenas nas cidades suburbanas ao sul da capital. Tem ainda um ramal, que funciona apenas entre 2 estaçoes de linhas diferentes (Ópera e Príncipe Pío). Cada linha é identificada por um número e uma cor. E por muitas estaçoes passa mais de uma linha.

Na estaçao Casa de Campo, a mais próxima da minha casa, passam as linhas 5 e 10, por exemplo.

No total, sao mais de 300 estaçoes na área metropolitana, sendo que parte considerável está dentro dos limites da cidade de Madrid.

Ou seja, se deslocar dentro da cidade é muito fácil. E ir e vir de cidades vizinhas também.

No centro, as estaçoes estao tao próximas que às vezes é melhor caminhar de uma à outra do que pegar o metrô e fazer a troca de linha.

Além das cores, faz parte do sistema de identificaçao visual o losango vermelho com a palavra "metro" escrita em branco, num retângulo azul. Logo abaixo costuma vir o nome da estaçao correspondente.





Acima das entradas, sempre há uma placa com o nome da estaçao e do acesso (porque a maioria das estaçoes têm mais de uma entrada/saída), o que permite sair da estaçao pelo lado certo apenas ficando atento às placas informativas distribuídas desde a plataforma. Permite também marcar de encontrar a galera na saída exata, em vez de ter que ficar procurando.

Abaixo desse nome, sempre existe a informaçao de quais linhas servem àquela estaçao.

Nas plataformas, uma placa eletrônica informa quanto tempo leva pra chegar o próximo trem. Nem sempre funciona bem, mas em geral o tempo aproximado é confiável.



E também na plataforma existem placas com as estaçoes seguintes e as respectivas correspondências - sejam outras linhas de metrô ou cercanías Renfe, que sao os trens urbanos.


Os trens sao bem variados.

Em algumas linhas, circulam só trens novos. Eles têm portas com um botao que você deve apertar caso queira entrar ou sair, além dos vagoes estarem todos interligados, o que permite percorrer todo o trem em busca de um lugar pra sentar. Em alguns funcionam tvs, que transmitem uma programaçao interna, presente também nas estaçoes.




Outros trens, em vez do botao, possuem manivelas mecânicas mesmo. E, claro, há muitos trens em modelos antigos, parecidos com os de Sao Paulo. O bom é que aos poucos estao sendo substituídos e os modelos novos já sao maioria.

A peculiaridade de Madrid é que aqui todos os vagoes possuem cadeiras com o recosto encostado na janela, de maneira que você sempre se senta de frente pra quem está do outro lado.

As estaçoes, quase todas, tem cara de novas. Constantemente estao sendo reformadas e remodeladas, até porque muitas sao antigas.

O que incomoda sao as obras, já que nessas estaçoes a plataforma fica muito estreita e o acesso é meio confuso.

O grande defeito do metrô de Madrid mesmo sao as trocas de linha. Em alguns casos é quase surreal o percurso a percorrer pra ir de uma linha a outra. Exemplo: em Plaza de España, é preciso subir 1 escada a pé, 2 escadas rolantes, cruzar um pátio e descer uma outra escada escada pra ir da linha 10 à linha 3. E esse é só um dos exemplos.

Outro problema é o tempo que o metrô leva parado nas estaçoes, ou, pior, entre elas, no meio do túnel. Nao sei a explicaçao, mas quando há pressa é bem irritante.
Mas claro, nada que tire o mérito de um metrô com uma ótima rede, um bom serviço, preço acessível e limpo, além de muito seguro (com excessao dos carteiristas).

terça-feira, 24 de março de 2009

Rodin y Vlaminck en la Caixa Forum


Na quarta passada, véspera de feriadao aqui, eu fui em mais um dos muitos espaços artísticos de Madrid: Caixa Forum.

É, o "Caixa" se escreve assim mesmo porque, se nao me engano, o banco é catalao - e portanto o nome também.

A localizaçao também é ótima: quase em frente ao Museo del Prado, perto do Reina Sofía e a 1 quadra da estaçao de metrô Atocha. Fácil de chegar. E o melhor: totalmente gratuito.

Além de muitos andares, o prédio conta com um jardim vertical em uma das paredes externas que chama atençao de qualquer viandante.



E as atuais exposiçoes mereciam mesmo uma visita.




A mais destacada se chama "Rodin en la calle", e é uma mostra de esculturas do famoso autor de "O Pensador", expostas na calçada em frente ao prédio, pra qualquer um que queira "perder" alguns minutos com a riqueza de detalhes e a expressividade de cada obra.






A outra, num andar interno, é dedicada a Vlaminck, um dos pintores mais conhecidos do que se chama "Fauvismo" (um dos "movimentos" artísticos contemporâneos que se destacava pela utilizaçao de muitas cores, sobretudo as mais fortes).



Passei um bom tempo analisando os quadros e lendo os textos da exposiçao. Fiquei feliz de entender bem o contexto e reconhecer nas pinturas as características fauvistas que eu tinha estudado na minha matéria de Movimientos Artísticos Contemporáneos. Inclusive alguns quadros até me soaram familiares.

Nao virei nenhum especialista, claro, mas hoje tenho muito mais noçao de arte do que tinha antes de vir. E era essa mesma a idéia de cursar a disciplina.

Conhecimento nunca é demais, afinal.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Volta (re)marcada


Hoje, 23 de março, faz 6 meses que eu pisei em terras espanholas pela primeira vez. Por isso, hoje seria também o dia em que eu estaria de volta ao Brasil, de acordo com os planos inicialmente traçados.

No fim das contas, acabei mesmo levando adiante a decisão de ficar mais um tempo por aqui. E, apesar de toda a dificuldade em conseguir um trabalho decente que me pague qualquer salário que ao menos sirva pra me manter até a volta, não me arrependo nem um pouco da decisão.

Continuo batalhando. E, enquanto o emprego não aparece, aproveito. Pra conhecer pessoas e lugares novos, pra sair quase todos os dias, pra aproveitar os intermináveis dias ensolarados de começo de primavera e pra fazer ainda mais amigos.

Enfim, pra viver tudo de melhor que Madrid possa me oferecer.

Inclusive aprendendo a valorizar cada qualidade do meu – do nosso – país, tão desmerecido pelos próprios brasileiros quanto cheio de reais problemas. Mas com uma cultura e um jeito de viver – e sobretudo de tratar as outras pessoas - que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Saudosismos à parte, o Brasil tem uma alegria própria à qual é muito difícil ficar indiferente. Alegria que é nossa. E que anos e anos de exploração e descaso nunca conseguiram tirar.

E, antes que eu esqueça, quero agradecer a cada um que me ajudou a estar aqui. Vocês sabem o quanto sonhei com o intercâmbio e o quanto foi importante poder realizar isso. E agradeço obviamente por toda a força que tenho recebido, de todas as formas possíveis, do dia em que cheguei - completamente perdido no novo Velho Mundo - até a minha decisão de ficar.
De verdade, MUITO OBRIGADO!

E já que o assunto é Brasil, minha volta já tem data marcada. Numa provável fria manhã de julho, em pleno inverno paulistano, volto a pisar em terras brasileiras, depois de quase 10 meses do outro lado do Atlântico.

Anotem a data: 19 de julho de 2009.

Quero uma recepção com cartazes, faixas e show de Ivete Sangalo.

Mas tudo bem, eu me contento com um abraço apertado e o sorriso – aquele, alegre, e só nosso – no rosto de cada pessoa querida.

Mega beijo.

terça-feira, 17 de março de 2009

Amigos e 100 montaditos

Nesse fim de semana, mais dois ecanos se juntaram ao já grande grupo de brasileiros em Madrid. Mas dessa vez a visita foi por poucos dias, infelizmente.

A Mari Amorim e o Thiaguinho estao fazendo intercâmbio no sul da França, em Aix en Provence, e aproveitaram a proximidade geográfica e a presença ecana por aqui pra fazer a primeira viagem "internacional" pra Madrid.


De sábado a ontem à noite foram dias super divertidos. Saímos muito, conversamos ainda mais, fizemos roteiros por bares e ruas agitadas de Madrid e, como nao podia deixar de ser, rimos muito e começamos a pensar em uma grande viagem juntos lá pro meio do ano.

Ontem, no dia da despedida, saímos do Parque del Retiro depois de aproveitar mais um dia ensolarado e fomos até os famosos 100 Montaditos, perto da Ópera.


100 Montaditos é uma rede de restaurantes presente em vários bairros, famosa pelos pequenos sanduíches vendidos a partir de 1 euro. Sao 100 tipos de recheio, de onde saiu o nome. E eles sao servidos em uma bandeja de madeira, acompanhados de batatas-fritas.


Na quarta, eles vendem tudo do menu por 1 euro, inclusive um copao de cerveja e os "montaditos" mais caros (que nos outros dias custam 1,20 e 1,50).

E a loja perto da Ópera, bem no centro de Madrid, fica lotada todas as semanas, exatamente nesse dia. É tao cheio que pra arrumar mesa é quase impossível. E a fama já fez do lugar um dos pontos turísticos obrigatórios em qualquer roteiro pela cidade.

Ontem, segunda, obviamente nao estava cheio. Deu pra escolher a mesa e até pra prestar atençao na decoraçao das paredes e nos azulejos do chao.


Mas é claro que todas as atençoes se concentraram na mesa: pelos mini-sanduíches ("bocadillos" em espanhol), pela cerveja barata e, principalmente, pela presença dos amigos.