sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Puerta y Puente de Toledo


No domingo, mais turismo.

Dessa vez, sem a beleza do Parque del Retiro, mas com algumas coisas interessantes também.

Fui até a regiao do Palácio Real em busca da Puente de Segóvia, que segundo um dos meus guias de Madrid é a primeira ponte da cidade sobre o Rio Manzanares e oferece uma vista única do Palácio Real e da Catedral de la Almudena.

Nem sempre guias podem ser confiáveis. A ponte fica numa regiao descuidada, à margem do Manzanares que é um rio quase seco, fedorento e feio. Sim, existem coisas feias aqui e essa regiao é uma delas. Há um projeto de revitalizaçao em curso, o que deixa o cenário ainda mais sujo e bagunçado.


Enfim, depois de procurar muito e caminhar por jardins sujos e cheios de mendigos, cheguei a tal ponte só pra contatar que a vista prometida nao valia a pena e que deveria voltar em segurança o mais rápido possível pra uma regiao mais movimentada - e limpa.


Resolvi ir até o Passeo de la Florida, que fica perto da estaçao Príncipe Pío, que por sua vez estava a menos de 500 metros da ponte. Nessa regiao está a casa onde Goya viveu seus últimos anos e onde realizou as Pinturas Negras que sao o ponto mais alto da sua obra.




A casa eu nao achei, mas há duas capelas gêmeas, onde o artista pintou uma série de afrescos. Para preservar o museu e ao mesmo tempo manter os cultos religiosos, eles construíram uma outra capela idêntica à original, só que simétrica. Daí o nome de Capillas Gémelas.

Como era de tarde, estava fechada pra siesta. Pensei: que merda! Maldito costume.

E antes que meu domingo fosse totalmente sem graça, voltei ao Palácio e desci a Gran Vía de San Francisco, passando pela imponente Catedral e pelo Daliedo que está logo ao lado e oferece um mirante de Madrid (e ao pôr do sol foi realmente muito bonito).




Por fim, segui até o fim da rua onde fica a Puerta de Toledo, à qual desci até a Puente de Toledo, novamente sobre o Río Manzanares.



Só que dessa vez, uma ponte mais bonita, com vista pro moderno estádio Vicente Calderón, do Atlético de Madrid, e pertinho de uma estaçao do metrô que eu já conhecia, numa de minhas andanças pela cidade em busca de um quarto em setembro.

Engraçado é que estive ali e nao notei nem a Puente nem a Puerta de Toledo. Lembrando bem, era noite e eu tinha pressa em encontrar um lugar pra ficar.

Aos poucos, vou terminando de construir o mapa mental da cidade. Nesse ritmo, em poucas semanas vou estar completamente direcionado em qualquer ponto da cidade. É o que eu espero.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

El Parque del Retiro


Decidi visitar as atraçoes que faltam pra terminar de conhecer a cidade nos fins de semana com tempo bom, quando tenho tempo livre pra isso e o clima é favorável. Abro o guia, escolho um lugar pra ir, coloco a máquina fotográfica na mochila e saio em "missao de reconhecimento".

Assim, no sábado à tarde fui pela primeira vez ao Parque del Retiro. Na verdade é uma vergonha que eu nao tenha ido a uma das principais atraçoes da cidade antes. Mas, como recompensa pela demora, o dia foi ensolarado e pouco frio.

E o parque é espetacular.

Comecei pela entrada que fica do outro lado da Puerta de Alcalá, e que é a entrada principal, perto da Plaza de Cibeles.

Um portao imponente recebe os visitantes e se abre em um corredor arborizado com bonitas flores amarelas no canteiro central.



Caminhando se chega a uma pequena praça com uma estátua, e com acesso a mais um corredor arborizado que leva à bonita lagoa onde fica o Monumento a Alfonso XII, que é espetacular. Colunas romanas dos dois lados, o lago à frente e um grande marco no centro, cercado de estátuas de leoes, sereias e soldados.



Mais pra dentro do parque está o imponente Palacio de Velazquez, fechado ao público mas com pinturas do autor na fachada externa.
E perto dele o Palacio de Cristal, que é fantástico. Lembra inclusive um que tem em Curitiba, que eu nao conheço pessoalmente. É muito legal caminhar pelo chao branco com as paredes e o teto de cristal deixando o sol entrar e formando reflexos por todos os lados.


E, como se nao fosse o suficiente, ainda tem um corredor de estátuas e um Rosaledo, que nada mais é do que um jardim cheio de rosas de várias cores, com duas pequenas fontes ornamentadas.



Por todos os lados do parque, muitas árvores, flores e muita gente. Dá pra entender fácil porque é o lugar preferido os madrileños...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Visita de amigos


Na semana do Halloween o Diogo, que é meu amigo-bixo ppnot-intercambista em Lisboa veio pra Madrid. E trouxa uma galeeeeeeera.

Encontrei eles no metrô na quinta à noite e fomos juntos até os dois albergues onde todo mundo ficou. De um pra outro eram menos de 3 quadras. Engraçado que ambos eu já "conhecia", pois tinha cogitado ficar neles antes de encontrar o Santa Cruz de Marcenado, que saía mais barato.

Foi bem legal conhecer a galera brasileira que está em Lisboa - inclusive uspianos - e que sao amigos do Diogo. Conhecer gente é sempre bom, e eles foram muito simpáticos e divertidos. E nessa de conhecer amigos de amigos eu ainda conheci um outro brasileiro que estuda em Paris e estava em Madrid, em um dos albergues, pra visitar a cidade.

Só nao deram sorte: quinta e sexta choveu e fez muito frio.

Na sexta, os encontrei à tarde pra um passeio pelo centro. Caminhamos enxarcados pelo Passeo del Prado e pela Gran Vía até o Templo e Debod, depois da insistente chuva, num frio de uns 3 graus. Os pés já estavam dormentes, quase nao dava pra sentir. E tenho quase certeza de que um pouco mais e iam congelar.

Fiquei feliz de poder voltar pra casa e trocar de roupa e calçados. Coisa que eles nao puderam fazer de imediato já que, além de estarem no albergue com pouca roupa, nessa mesma noite ainda foram ao Museo del Prado, que eu deixei pra outra ocasiao.

De banho tomado, os encontrei novamente para ir até a churreria mais famosa de Madrid, perto da Plaza Mayor. E de volta às imadiaçoes dos albergues, entramos em alguns dos muitos bares que comemoravam o Halloween.
Pra terminar, fomos a um bar-discoteca bem animado que, apesar de pago, entramos de graça por conhecer na porta mais um brasileiro.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Halloween

Já tinha ouvido falar que na Europa a tradiçao do Dia das Bruxas é um pouco mais forte que no Brasil.

E é verdade. No dia 31, que por sorte dos bares e discotecas caiu exatamente na sexta, a Calle Huertas, que é a rua dos bares e baladas madrineña, parecia outra. Na verdade, todos os estabelecimentos comerciais celebraram a data e criaram uma noite especial pro evento.

Apesar do frio, dezenas de pessoas fantasiadas caminhavam pela rua. Os garçons e "relaçoes públicas" dos bares também entraram no clima, assim como os próprios bares, cervejarias e discotecas, que fizeram uma decoraçao temática bem variada.

Tudo muito divertido.

No metrô, indo pro centro à noite, vi muita gente fantasiada também. Era engraçado o fato de que em alguns vagoes tinha mais gente fantasiada do que sem fantasia. Me senti praticamente de outro planeta com o meu casaco azul e o meu cachecol preto nada temáticos.

Fora isso, de curioso tem o fato deles celebrarem o dia dos mortos exatamente na data seguinte, que é dia primeiro de novembro. Diferente do Brasil, onde essa data é no dia 02. Como caiu no sábado, deu no mesmo.

Inclusive foi bom pra dormir até mais tarde.

Bienvenido al frío


Dois dias depois do domingo ensolarado em que passeamos pela cidade, uma frente fria chegou a Madrid.

E nao foi qualquer frente fria. Os jornais estamparam a chegada das temperaturas mais baixas do outono (a previsao era de até -2 de madrugada) e eu me preparei pra encarar dias abaixo de 3 graus pela primeira vez na vida.

Com a ajuda da Rea, da Karine e do Francisco, que estao mais acostumados ao frio, fui a uma loja no centro e comprei dois acessórios indispensáveis pro inverno: luvas e cachecol.

As luvas estavam em promoçao por 1,90. Nao sao impermeáveis e desconfio que talvez tenha de comprar outras mais quentes no futuro. Mas como o preço era baixo, valeu a pena. Ainda mais porque até agora têm sido muito úteis.

Cachecol eu nunca tinha usado na vida. Por 10 euros agora tenho um de lä, que esquenta de verdade. É incrível, mas faz uma diferença brutal usar ou nao. O pescoço quente nao só mantém o corpo quente como evita inflamaçoes na garganta. E isso, na prática, se aprende bem rápido.

Com um casaco, luvas e cachecol, dá pra encarar qualquer frio. Pelo menos até agora tem sido relativamente tranquilo. Nao sei como vai ser no inverno, já que meu arsenal de calças e casacos já está sendo utilizado desde agora.


A frente fria já foi embora, mas as temperaturas à noite nao passam dos 5 graus. Mesmo quando faz sol e se imagina que vá dar uma esquentada. Nos dias mais frios já chegou aos 3 graus à tarde, graças à chuva (de madrugada prefiro nem saber...)

Na rua é bastante incômodo. Principalmente à noite, quando saímos nos fins de semana. O vento gelado no rosto é de arrepiar.

Mas em casa é tranquilo. Com aquecedor, meu quarto está sempre em torno dos 20 graus. Dá pra dormir de camiseta e calça leve.

As torneiras também sao aquecidas, apesar de que a do banheiro leva horas pra esquentar e sempre lavo a mao com água fria mesmo.

Inclusive, descobri porque nos filmes aparecia sempre alguém abrindo o chuveiro e deixando a água jorrar antes do banho. Eu pensava: que desperdício! Mas como a água demora alguns minutos pra esquentar, é o único jeito de tomar um banho quente.

Passei a ser mais um ambientalmente irresponsável. Mas é em prol da minha natureza.

=P

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Essa é a mistura de Madrid com Egito


No domingo passado, eu e meus amigos "imigrantes" aproveitamos o último dia em solarado dos 10 dias seguintes. A previsao era de chuva e frio intenso a partir da segunda-feira, entao resolvemos seguir o costume madrileño de ir aos parques e sentar na grama pra ficar tomando sol.


De manha fomos ao Rastro, que é uma espécie de 25 de março madrileña que funciona só aos domingos no bairro de La Latina. Sao dezenas de barraquinhas, um amontoado de gente e muitos produtos diferentes - roubados e/ou falsificados.

Já tinha ido lá com o pessoal em outra ocasiao, pra conhecer. Mas é sempre divertido ver as coisas exóticas que eles têm por lá e é útil se inteirar dos preços dos artigos de inverno que em pouco tempo serao necessários.

A vantagem do Rastro é que os vendedores nao gritam como em Sao Paulo. E o bairro é muito mais charmoso e bonito, além da quantidade de gente ser consideravelmente menor - ainda que esteja sempre cheio.



De tarde, caminhamos pelo centro parando em alguns gramados pra dar uma esquentada no sol. O tempo já nao estava mais quente, mas os dias ensolarados ajudavam a aquecer.
No fim da tarde fomos ao Templo de Debod.


É um templo egípicio que foi dado de presente a Madrid pela ajuda do governo espanhol na restauraçao de um outro templo, há alguns anos atrás. Eles montaram o que sobrou das construçoes de 2 mil anos em uma parte alta da cidade, próximo a um mirante de onde se tem uma bela vista do Parque del Oeste e um bonito pôr do sol.


O templo é bem interesante. Ainda conserva os desenhos egípicios originais nas paredes internas. E os arcos que restaram criam um portal bem interessante. Quando o sol está se pondo, em uma determinada hora, o reflexo no lago abaixo dos arcos dá a impressao de que há dois sóis: um dentro do arco real, e o outro refletido no lago. Muito legal!




Depois vou com calma fazer umas fotos do lugar, já que a primeira imagem do post eu peguei na internet. Nesse dia tava sem a câmera e a foto acima eu roubei do Facebook do pessoal.
Nas fotos, alguns dos meus amigos aqui:
Rastro (tirada na primeira vez que fomos lá): Karine (francesa), Francisco (chileno), eu e Hillary (norte-americana)
Templo de Debod: Rea (suíça), Karine e eu.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

El Escorial


No sábado, um dia depois de ir a Alcalá, fui com alguns dos meus amigos daqui de Madrid a San Lorenzo de El Escorial. Eduardo e Réa, que fazem parte do grupo de pessoas mais próximas aqui, e também o Thiago e o Emanuel, que sao outros brasileiros que estudam na Autônoma.


É uma cidade a uns 45 minutos de ônibus de Madrid, numa regiao montanhosa a 1000 metros do nível do mar. As passagens saem a 6,60 ida e volta. E como é uma das atraçoes Top 10 em qualquer guia de Madrid, vale a pena conferir de perto.
A cidade em si nao tem nada demais. É praticamente um pueblo, de tao pequena. Casinhas em estilo europeu, ruas estreitas e muitas ladeiras. O charme sao as montanhas, nos arredores. E, claro, a principal atraçao: o castelo.




Nunca conheci um castelo tao espetacular como El Escorial (como se tivesse conhecido muitos...hehe). Construído mais ou menos no ano de 1500 por Felipe II, um dos reis mais poderosos do império espanhol (e que também era um católico-doentio-fervoroso), o Palácio é fenomenal.

Pra começar, é gigantesco. Impressiona pelo tamanho, pela localizaçao ao pé das montanhas e pela vista que tem da regiao, pelo fato de já estar no alto. Além disso, sao mais de 15 torres, centenas de salas, saloes, corredores e escadas, e milhares de quadros.


É impressionante o fato de que praticamente todas as salas sao decoradas com muitas obras de arte. Entre uma e outra, portas perfeitamente esculpidas, portais feitos em madeira de primeira e também escadas de pedra, só pra lembrar que nessa época ainda estávamos no período medieval.

Sao no mínimo 2 horas caminhando dentro do castelo para que se possa conhecer superficialmente todo o lugar e passar os olhos pelos quadros. De uma ala pra outra, a decoraçao varia e o estilo dos corredores, arcos e pilastras também muda.

E é muito bonito mesmo! A Catedral também é fantástica, se impondo em um dos diversos pátios internos que também tem um acesso ao exterior.



La também está - segundo eles - a segunda maior biblioteca do mundo, atrás apenas da do Vaticano.

A visita custa 3,50 para estudantes + 2,20 para ter acesso à sala espetacularmente decorada em bronze e ouro onde estao os corpos de todos os Reis espanhóis da dinastia Habsburgo, incluindo as respectivas rainhas. Nos perguntamos onde vao entrar os futuros corpos, já que só há mais 2 túmulos disponíveis e estes já estao destinados a Juan Carlos e Sofía, os reis atuais.
É proibido tirar fotos dentro do castelo, mas conseguimos burlar os seguranças em algumas ocasioes e fizemos algumas lá dentro - que nao ficaram a melhor coisa do mundo, mas servem pra se ter uma idéia.


Só o que nao é pago sao os jardins, que ceram quase todo o local. E de onde se pode ver o castelo, um bonito lago onde ele se reflete, as montanhas lá atrás e os arredores do palácio, lá embaixo.



Ao fim da visita, fomos exaustos e famintos ao mercadao, que estava fechado pra "siesta". Entao encontramos um supermercado, compramos quejo, presunto e pao. E almoçamos o melhor bocadillo do mundo.

Depois demos uma volta pela pequena cidade antes de pegar o ônibus rumo a Madrid.