sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Madrid 10K


Conhecem a Nike 10K? Pra quem nao sabe é uma corrida de rua de 10Km promovida pela Nike anualmente em várias cidades do mundo.

Em Sao Paulo, inclusive. O final do percurso costuma ser na Cidade Universitária da USP.

Pois bem. Eis que esse mês fiz as contas e vi que comprar o abono transportes nao valeria a pena, porque além do mês ter só 28 dias, eu só tinha que vir pra facul obrigatoriamente nos 4 dias de prova e mais algumas vezes pra resolver papelada burocrática, estudar e terminar um trabalho prático.

No fim das contas, acabo vindo também porque é minha única forma de acessar internet sem pagar - e sai mais barato que ir a uma lan house.

A questao é que, sem o abono, dá pra sentir no bolso o custo de cada viagem: com os reajustes de janeiro, o múltiplo de 10 agora custa 7,40 e, portanto, a passagem do metrô ou do ônibus sai por 0,74 euros.

E como eu ainda nao tenho um trabalho que me garanta financeiramente nos meses a mais que vou ficar, o jeito é economizar em tudo - em tudo mesmo.

Considerando que nao dá pra cortar gastos em absolutamente nada mais, o jeito foi deixar a preguiça de lado. Resolvi seguir os conselhos de Caetano e caminhar contra o vento, sem lenço e com documento.

Sempre que tenho que ir da facul ao centro vou a pé. E nem reclamo, porque andar pela cidade é bem agradável, é relativamente perto (30 minutos) e o frio já nao é tao intenso (as temperaturas estao entre 7 e 12 graus ultimamente).

O problema é voltar da UCM pra casa...

Da Complutense até minha rua, segundo o Google Maps, sao 9,3 Km. Como é impossível percorrer exatamente o percuso que eles sugerem, acabo tendo que andar um pouco mais e o trajeto bate perto dos 10Km.

Já voltei duas vezes a pé e hoje será a terceira.

E com isso, além de estudos, cultura, viagens, festas e amigos, meu intercâmbio acaba de me proporcionar pernas mais grossas e uma verdadeira maratona pelas ruas madrileñas.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Brasil x Itália


Terça a Bruna e o Silvio me chamaram pra ir ver o jogo do Brasil num bar no centro de Madrid.
Como eu tava estudando pra última prova, que seria no dia seguinte, acabei ficando em casa. Por acaso, comentei com a Sarah, uma das meninas que mora no ap, que estava rolando o jogo e que eu nao poderia assistir.

Rá! Ela me disse na hora que um canal estava transmitindo e, ao ligar a TV, lá estava o jogo!

Apesar de só ter começado a ver a partir dos 30 minutos do primeiro tempo (ou seja, depois dos dois únicos gols da partida), valeu a pena pra matar um pouco a saudade.

Só lamentei nao ter ido ao bar porque, além da farra brasileira junto com vários ecanos (o Du e o Rodolfo sao outros ecanos que formam o ap com eles e também estavam presentes), eu perdi a chance de zuar os estudantes italianos que sao amigos desses ecanos - com quem a cada dia eu tenho convivido mais por aqui.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Encontros e Despedidas


Sexta foi a despedida de um dos meus amigos daqui: o Eduardo volta pro Brasil na semana que vem. Pra nao deixar passar em branco, fomos a um bar em Argüelles, onde tínhamos ido ainda nos tempos do albergue. E conseguimos reunir toda a turma dos primeiros dias: Hillary, Karine, Rea, Attila, Eduardo, Francsico e eu.



O Eduardo faz parte das pessoas que conheci no Santa Cruz de Marcenado nos primeiros dias, logo quando cheguei, e que se tornaram os amigos mais presentes nesses meus meses aqui até agora.
Viajamos juntos pra Paris e Barcelona, além de estarmos no mesmo grupo que foi pro El Escorial e pra Segóvia. E também no grupo de viagem do fim do ano, rodando a Europa.

No comecinho de março é a vez do Francisco voltar pro Chile.


E lá se vao os meus companheiros de cerveja gratuita todas as quintas, gargalhadas, confusoes e viagens.

Ainda nao me acostumei muito com a idéia de ir "perdendo" os amigos aos poucos, mas a verdade é que faz parte do intercâmbio conhecer um monte de gente que em poucos meses muito provavelmente ficará só na lembrança. E vou ter que me acostumar rápido a me divertir sem as pessoas com quem mais costumava sair aqui.

Em compensaçao, é hora de conhecer gente nova e fazer novos amigos: a galera que vem pra esse semestre já começou a chegar de todas as partes do mundo.

E, além do mais, muitos dos amigos "antigos" ficam por aqui até o meio do ano, junto com tantos outros que foram agregados pelo caminho.

A vida continua. E, por enquanto, ainda dublada em espanhol.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Año nuevo, casa nueva


Além de um emprego, eu resolvi que se fosse pra continuar em Madrid eu precisaria me mudar.

Em primeiro lugar porque o lugar onde eu morava estava caro demais pra qualidade do local e pra localizaçao e eu queria economizar. Em segundo, porque eu já estava de saco cheio de ter que viver praticamente o tempo todo trancado no quarto, porque o casal de peruanos que alugava os quartos vivia na sala vendo TV e nem eu e nem o Duc podíamos aproveitar os outros ambientes da casa - já que a cozinha mal cabia uma pessoa. Além do mais, pagava nas despesas incluídas TV a cabo, que só tinha na sala e eu obviamente nao usava, e internet, sem sequer ter computador.

Falei com colegas da facul, dei uma olhada em alguns anúncios na internet e cheguei a visitar alguns pisos. Os problemas de sempre: muito caros ou muito ruins. Ou, queriam gente pra ficar mais tempo que eu.


No fim, na semana em que eu teria de sair do quarto - junto com o fim do mês e do período já pago -, eu soube de um quarto 30 euros mais barato na casa de umas estudantes, nao muito longe de onde estava vivendo.

Uma das estudantes é colega da Cynthia, do Ricardo e do Martín, que sao amigos de uma das matérias que eu fiz e que pra eles era optativa.

Fui ver a casa num dia e no dia seguinte dei a resposta, depois de pedir conselho a meu pai pra saber o que fazer. O Duc, meu antigo companheiro de ap belga, me ajudou na mudança.

Na nova casa moram essas 3 estudantes - Maria Victoria, Sarah e Maria Angeles. E agora, eu. Elas sao super simpáticas, apesar de nao termos convivido muito porque as duas marias trabalham e eu tenho ficado bastante tempo estudando no quarto ou na facul.

O quarto é minúsculo, menor que o anterior. E nao tem janela pra rua. Em compensaçao tenho um varandinha anexa que no verao será muito agradável. E outra vantagem é espaço pra guardar tudo em uma mega estante e mais um armário embutido.



Além disso, a casa é excelente. A sala é gigantesca, a cozinha é enorme e muito melhor equipada, e ainda tem uma mega varanda na sala e um comprido corredor. O banheiro é pequeno também, mas as torneiras (assim como as da cozinha) permitem uma melhor regulagem da temperatura da água, o que proporciona banhos quentes na medida do agradável e evita que tenha que lavar as maos com água gelada ou quase fervendo como acontecia antes.

Outra vantagem é que a calefaçao esquenta de verdade. Chega de manhas geladas ao sair do quarto (e às vezes dentro dele ambém). Tenho mais espaço nos armários pra colocar minha comida e nao preciso deixar nada no quarto. E o forno agora funciona, o que permite variar o cardápio sempre que der vontade.

É tudo mais novo e mais limpo.




Uma desvantagem é estar mais longe do metrô. Mas sao menos de 10 minutos a pé, super tranquilo. E nos meses em que compro o abono transportes, posso pegar um ônibus que deixa do metrô na porta de casa e vice versa.

A vista da rua (da varanda da sala e da varandinha) estao nos vídeos que fiz da neve. O meu quarto, o corredor, a cozinha e a sala sao essas fotos que ilustram o post atual.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Brasil? Agora nao.


A maioria das pessoas já souberam através de e-mail ou orkut, mas vou deixar registrado aqui pois me poupa o trabalho de ficar repetindo. E também porque faz parte do que eu pensei pro blog registrar o meu dia a dia aqui.

Tá decidido: eu nao volto pro Brasil em março.

Foi uma decisao consciente, que comecei a avaliar já há muitos meses, praticamente desde quando cheguei e vi o quanto era agradável viver aqui. Pesei todos os fatores, as dificuldades, as vantagens e as possibilidades.

O que mais pesava contra era a grana, claro. Afinal nao é nada fácil pagar aluguel, transporte e comida, em euro, tendo guardado o dinheiro em reais.

Mas numa cidade com tanta vida noturna - e tantos imigrantes ilegais trabalhando - eu resolvi apostar que no final conseguiria alguma coisa pra pelo menos me manter durante esses meses. E, na melhor das hipótesis, ganhar dinheiro suficiente pra viajar mais um pouco e comprar algumas coisas que valem a pena.

A favor, o fato de continuar vivendo na europa (o que é muito bom), a vontade de aproveitar o verao espanhol (já que só vi frio desde que cheguei), a possibilidade de viajar pras cidades que quero conhecer mas que ainda nao pude ir (Roma, Veneza, Amsterda e Londres, entre outras) e a vantagem de continuar aperfeiçoando o espanhol (que ainda tem muito que melhorar apesar de muita gente dizer que eu tou falando super bem pra quem chegou há 4 meses).

Enfim, acho que vai valer a pena ralar um pouco e aguentar a saudade por mais alguns meses. É uma nova experiência - novos grupos sociais, novos lugares de rotina e novas descobertas.

Só nao defini ainda a data de volta. Preciso pensar mais um pouco e esperar pra ver como as coisas vao sair nas próximas semanas antes de mudar a data da passagem.

Pra me adequar melhor, mudei de ap pra um sensivelmente mais barato. E, como ficou claro num post anterior, comecei a procurar trabalho - e parece que pelo menos algum dinheiro vai dar pra conseguir, mesmo que nao seja nada muito garantido.

A burocracia e os gastos desanimam um pouco, mas nada que tire o brilho nos olhos de pensar em tudo fantástico que, com toda certeza, em breve eu vou poder conhecer.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

¡Nieve!


O inverno desse ano é o mais frio de Madrid nos últimos 20 ou 30 anos. Pelo menos é isso que se comenta nos jornais e pelas ruas da cidade.

Azar o meu, mero estudante acostumado com temperaturas tropicais e calor de rachar o bico.

Mas, como tudo na vida, tem um lado bom: a neve! Desde que cheguei, já nevou 4 vezes na cidade, sendo que há muitos anos em que nem sequer neva. E como todo estrangeiro nao acostumado com isso, eu sempre fico encantado.

A verdade é a neve é a única coisa legal do frio. Entao, já que é pra congelar, que seja dentro do estereótipo europeu.

No primeiro dia, nem cheguei a ver. Foi rápido, pouco e a neve logo derreteu. E como eu estava na facul, passei batido.

A segunda nevada foi a melhor de todas. Abri a cortina de manha e vi a rua coberta de branco, com muitos flocos caindo. Pensei: ah, neve eu já vi em Berlim! Deixei a máquina em casa e vim pra facul. Se eu soubesse que ia nevar o dia inteiro e que a cidade ficaria completamente coberta de branco - como eu jamais vi acontecer antes - teria voltado pra pegar a máquina e registrar tudo isso. A neve se acumulou nas árvores, nas ruas...Madrid inteira parecia um sorvete. Foi lindo!

A terceira foi há alguns dias. Entre uma aula e outra, cruzei o hall de entrada da facul e vi que mais uma vez nevava.

Dali mesmo tirei as duas fotos pra registrar, e fui feliz encarar mais duas horas de estudos.

Pra minha surpresa, eis que ontem, depois de uma subida considerável da temperatura na semana passada - que me fez achar que o inverno tinha ido embora de vez - mais uma vez nevou. Como eu tava em casa estudando, filmei e fotografei tudo.

Nevou por quase 1h. Pena que em seguida choveu, porque com isso o gelo derreteu e voltou tudo "ao normal".

Mas agora já tenho os devidos registros.

E vocês podem aproveitar pra conhecer a minha nova rua.

...¡y quizás un trabajo de verdad!

Na quinta passada eu sentei com a Bruna pra gente montar nossos currículos made in Spain. Decidimos ir nos bares juntos pra falar com os responsáveis porque fica mais fácil perder a vergonha e um acaba ajudando o outro.

Na sexta, fomos ao bairro La Latina porque é cheio de bares e, segundo a Bruna, é uma área que sempre emprega.

Depois de entrar em alguns e falar com as pessoas responsáveis, chegamos a uma cervejaria numa praça perto do metrô. Apesar de ainda ser inverno, eles já tinham colocado as mesas pra fora e já tinha gente consumindo ali.

Falamos com o chefe e ele foi super simpático e atencioso. Explicou o funcionamento da coisa e foi realista: quando tem movimento, colocam as mesas fora, precisam de gente e chamam pessoal extra. Quando nao tem, obviamente nao chamam ninguém.

Só que ele falou que só precisaria da gente lá pra finais de fevereiro ou março, e nós decidimos continuar a busca até ver se aparece alguma coisa imediata.

No sábado, recebi uma ligaçao do bar umas 5 e meia da tarde, me perguntando se eu poderia ir lá pra dar uma força. "Claro!"

Fui, trabalhei 5h, conheci o funcionamento das coisas, as pessoas do local e saí com meu pagamento (que é de 10 euros/hora, feito ao final do dia de trabalho).

Agora é torcer pra que me chamem de novo. Como acredito que fui bem, tenho esperanças que sim. A idéia inicial deles é chamar só pros fins de semana, já que ainda faz frio. Mas no verao pode ser que se torne algo diário.

Só falta o tempo colaborar e as pessoas resolverem encher a cara todos os dias. =P

Quanto ao trabalho em si, foi tranquilo. Servir mesas é fisicamente cansativo, mas nao tem segredo nenhum. O mais importante é atender os clientes com simpatia e bom humor.

E nao deixar cair a bandeja.