quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Munich: a capital da cerveja!


Na volta do Campo de Concentraçao, já era hora de começar a conhecer a cidade.

Na mesma tarde, fomos à praça da Pinacoteca, um interessante conjunto de 3 prédios praticamente iguais dispostos de forma triangular.

Depois de passar no mercado pra comprar as refeiçoes e tomar banho, saímos a pé pelas ruas do centro, já que a cidade é pequena e o albergue estava num ótimo lugar.


À noite, Munich era uma cidade ainda mais colorida. As casinhas em estilo alemao com muitas luzes e o mercado natalino - espalhado tanto pela praça principal da cidade como por calçadoes próximos - deram um charme especial.


Depois de rodar um pouco, encontramos a Houfbraühaus: a cervejaria mais tradicional da cidade. Munich é mundialmente famosa pela Oktoberfest, mas tem cerveja de qualidade pra todos os gostos o ano inteiro.


Lá dentro, uma bandinha alema alegrava o já animado e exaltado ambiente. As garçonetes também ajudam no clima, trajando roupas tradicionais e carregando pras mesas de madeira as canecas gigantes de 1 litro de cerveja.


Deliciosa, diga-se de passagem.



E a noite na cidade, nesse clima, nao podia ser melhor.

No dia seguinte, conheci o Allianz Arena, uma das sedes da Copa de 2006. Um estádio pra lá de moderno e que vale a visita.


Na volta pro centro, um passeio pelas ruas estreitas nos levou às atraçoes históricas:

A Marionplatz, a praça principal onde está a sede da prefeitura, com uma incrível construçao gótica e um bonito obelisco dourado.



A Ópera, cercada de casinhas de telhado pontudo.



E a Odeonplatz, onde está uma Igreja...




...o Arco do Triunfo (presente em quase todas as cidades que conheci até agora)...

...e a praçinha de acesso ao antigo Palácio Real, que conta com uma moderna estrutura e já nao serve mais a nenhum rei.


Perto dali, outra atraçao: O Jardim dos Ingleses. Um parque muito bonito, cortado por um riozinho e cercado de verde.

No verao, as mulheres fazem topless. E que pena que fazia tanto frio...


Ah, claro! Tem a pracinha onde começa a Oktoberfest: o obelisco colorido nao deixa ninguém esquecer disso.


Por fim, a catedral. Uma imensa construçao protestante com duas torres paralelas, bem no centro da cidade.

Fora do casco antigo, a sede da BWM oferece um show-room com os novos lançamentos.

Foi bem divertido voltar à infância com esses brinquedinhos de muitos milhares de euros.


E estar pela primeira vez do lado de um Fóruma 1!

Ali ao lado, o Parque Olímpico de 1972. O complexo oferece áreas verdes com direito a lago e pequenos morros...


...além do prédio de esportes aquáticos...


...e o arrojado Estádio Olímpico, com a semi-cobertura transparente e milhares de cadeirinhas verdes - o mais legal que eu conheci por dentro.

À noite, hora de pegar as malas e embarcar pra próxima cidade. E a saudade da capital da Bavária já se misturava com a ansiedade pelas próximas descobertas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Campo de Concentraçao de Dachau

Visitar um Campo de Concentraçao nao é bem um passeio turístico. Está mais pra uma experiência de vida e de reflexao.

Chegamos a Munich no dia 19 de manha, depois de uma longa e gélida noite na estaçao de trem, salva por uma organizaçao nao-governamental alema que ofereceu uma salinha quente com chá, mesas, cadeiras e banheiro limpo pros viajantes da madrugada.

Depois de deixar as coisas no albergue, saímos com o tour gratuito pela cidade e decidimos ir naquele dia mesmo a Dachau, uma cidadezinha vizinha a Munich onde está o primeiro e mais duradouro campo de concentraçao.
Foi ali que o horror nazista começou, em 1933. Primeiro como prisao de políticos, depois como Campo de Concentraçao propriamente dito, onde até 20 mil pessoas foram amontoadas e torturadas. Nos 12 anos de funcionamento, milhares foram mortas.

No tour pelas sóbrias intalaçoes, uma volta ao passado revelou como era a vida(?!) ali.

Os prisioneiros que chegavam recebiam um numero que corresponderia a sua identidade a partir de entao. Sem nomes, sem apelidos. Apenas um numero.

No dia da chegada, o único uniforme para toda a instância: fino, esfarrapado e pouco quente pros gelados invernos alemaes. Calçados eram proibidos. O banho era só um também, nesse mesmo dia.

Os objetos pessoais eram deixados de lado junto com toda a dignidade humana.

De acordo com o tipo de prisioneiro, os uniformes traziam insígnias que podiam se acumular: presos políticos, judeus, homossexuais, foras-da-lei, re-inicidentes.


Alguns instrumentos de tortura estao até hoje expostos no saguao do prédio principal.


Em Dachau, os presos dormiam em camas de madeira que com o passar dos anos e o crescente número de pessoas, viraram grandes tábuas sem divisória onde eles se aglomeravam em até 2 mil pessoas num espaço previsto pra 200.
Das barracas de madeira chamadas de dormitórios, restou apenas uma das mais de 20. Ali, as janelas ficavam abertas no inverno e eram fechadas no verao. Até o clima era usado como tortura.


Dachau foi também um Campo de Concentraçao dos dois tipos que podiam existir: de trabalho forçado, no começo. E, durante a guerra, também de extermínio. A câmara de gás e o crematório sao provas da barbárie.



Assim como a foto tirada no dia em que as tropas aliadas libertaram os prisioneiros.


No pátio agora vazio, monumentos recordatórios para que a humanidade jamais esqueça até onde pode chegar a crueldade e a doentia humanas.

E, em diversos idiomas, um pedido que ainda precisa ser ouvido:


Frankfurt: a cidadezinha alema dos arranha-céus


A primeira cidade da viagem foi Frankfut.


Nao que seja uma cidade propriamente turística, mas o vôo pra lá somado ao trem pra Munich saía mais barato que um vôo direto, e obviamente optamos pela opçao mais econômica.


Estive em Frankfurt por duas vezes. Na ida, no dia 18/12, andei pela cidade à noite e conheci praticamente tudo em poucas horas.

Na volta, passei o dia sozinho à espera do horário do vôo rumo a Madrid, explorei mais alguns lugares sem pressa e aproveitei o bonito dia de sol.


Frankfurt hoje é uma importante capital financeira da Alemanha. E as dezenas de arranha-céus espanhalhados pela cidade sao prova disso. Construçoes imensas, quase sempre espelhadas e que parecem sumir verticalmente quando vistas de baixo.


É lá que está o prédio do Banco Central Europeu, por exemplo.


Interessante, mas nada que encha muito os olhos de alguém que conheça qualquer grande metrópole do mundo - inclusive Sao Paulo.


O que mais chama atençao na cidade é o contraste do centro antigo, cheio de casas pegadas com telhado pontiagudo em estilo bem alemao...


...com o imponente skyline brilhando contra o céu e visto de qualquer ponto da cidade.


E claro, Frankfurt foi onde pisei na Alemanha pela primeira vez e pude ver de perto o idioma quase impossível e a maneira alema (a princípio complexa) de organizar o sistema de transportes.


O rio que divide a área urbana em duas partes é bem agradável, e oferece bonitas vistas da arquitetura contrastante.

No centro antigo, uma catedral gótica avermelhada - por dentro e por fora -, coisa que eu nunca tinha visto.
Além dela, pequenas pracinhas cheias de comércio e ruas limpas em geral bem movimentadas.
Nos meus últimos minutos na cidade, já no dia 03/01, sentei na beira do rio e esperei o pôr-do-sol (às 4 da tarde!). Enquanto a claridade e o calor iam diminuindo, contemplei a vista e me senti feliz por mais um sonho realizado.

Estou de volta!

Sim!

Eu consegui voltar vivo depois de 15 dias de viagem, 12 noites em albergue, 3 noites em estaçoes de trem, 6 cidades, temperaturas de -3, -7, -10, semi congelamento dos dedos, Natal longe da família pela primeira vez, Reveillon na capital alema com vodka contrabandeada pra dentro da festa, companhia aérea filha da puta, idiomas completamente desconhecidos, neve, brasileiros divertidos por toda parte, novos amigos pelo mundo, fiscais corruptos em Budapeste, noites mal dormidas, mais palácios e catedrais, milhares de fotos e lembranças inesquecíveis.

Vou pular os problemas nos vôos de ida e volta que me deram um mega prejuízo - e me deixaram deprimido na volta a Madrid - e me concentrar em tudo de bom que eu vivi nesses últimos dias.

Afinal, dizem que recordar é viver. E se for assim, já tenho boas lembranças pra uma vida inteira.