segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Barcelona! E enfim o Mediterrâneo.

A viagem desse fim de semana foi massa! Eu e o Eduardo saímos na quinta à noite e encaramos as 8 horas de busao na madrugada rumo à capital da Catalunha.

Barcelona! A cidade pra onde eu quase fui estudar e que só agora tive o prazer de conhecer.


Mesmo estando no mesmo país, Barcelona é tao diferente de Madrid que nao dá pra esquecer em nenhum momento que a Catalunha é uma regiao autônoma.

A começar pelo catalao, que na minha opiniao é uma mistura de castellano e francês (mais complicado de estender que o espanhol), tudo é diferente.



A cidade respira arte por todos os lados. Praças, prédios, monumentos. Tudo parece ser pensado pra manter a fama barcelonesa de cidade artística, sobre tudo modernista.

As obras de Gaudí valem a visita de qualquer um. Nao é à toa que ele é o queridinho por lá.


O Parc Güel é espetacular. Todo o projeto, cheio de curvas, detalhes e cores, é encantador. Parece uma cidade imaginária onde qualquer criança (eu, inclusive) gostaria de viver.









De Gaudí tem também muitos outros prédios. Na regiao do Eixample, que é um eixo da cidade cheio de divertidos exemplos de arquitetura modernista, se destacam a Pedreira...



e a Casa Batló.



Esta última é praticamente um sonho.




Inteiramente baseada no mar e na natureza, o edifício todo nao possui nenhum canto reto.


É tudo colorido, curvo e incrivelmente pensado do ponto de vista arquitetônico e artístico.




Por fim, a mais importante: a Sagrada Família.

Mais de 100 anos de uma obra interminável que já é incrível agora, inacabada. Foi a catedral mais alta que já conheci e por fora a mais espetacular.


A riqueza de detalhes esculpidos em pedra, os vitrais projetando luzes no interior e a grandiosidade do projeto fazem da catedral nao só o monumento principal da cidade, mas uma das partes mais legais de conhecer.



O Bairro Gótico é bem legal também. As ruelas estreitas e as construçoes altas e escuras te fazem sentir-se na Idade Média.




As Ramblas, perto de onde ficamos, sao uma grande avenida cheia de bancas que vendem de souvernirs a flores, passando por jornais, roupas e comida. Lá ficam vários artistas de rua e alguns prédios interessantes.


Descendo as Ramblas se chega ao mar. E, enfim, eu senti o gostinho salgado do ar que tanto me faz falta. E o melhor foi ter ido pela primeira vez a uma praia no Mar Mediterrâneo!


De um lado, o Port Vell, antigo porto reformado e super agradável, onde os transatlânticos aportam ao chegar na cidade.



Mais ao norte, o Port Olímpic, perto da Vila Olímpica, separado do primeiro pela famosa praia "La Barceloneta".



Falando em Olimpíadas, nao podíamos deixar de conhecer o Estádio Olímpico - aberto ao público no domingo e com direito a "...We are the champions..." nos alto falantes!




E algumas das estruturas do "Anillo Olímpico", como o Museu e a Pira Olímpica.



Ali perto, subindo pelo Park de Montijüik, chegamos ao Castelo de Montjüik, uma fortaleza com vista panorâmica de toda a cidade.

Foda!



Mais abaixo, o Palácio Nacional, um bonito prédio no alto de uma colina e que tem à frente duas torres venezianas e a Fonte Mágica, um dos momentos mais legais nas noites barcelonesas.



Por duas horas (no inverno), essa fonte fica acesa e produz um espetáculo de luzes, "dançando" de acordo com a música tocada.



E depois disso fica difícil nao se apaixonar pela cidade...



Como se tudo isso fosse pouco, a lista de principal atraçoes da cidade ainda inclui o "Hospital de la Santa Creu i Sant Pau", um maravilhoso prédio modernista Patrimônio Cultural da Unesco.



O Palau de la Musica Catalana, outro patrimônio incrível.



E a Torre Agbar, um prédio cônico com uma iluminaçao colorida.


No sábado, ainda conferimos de perto o agito em volta do Camp Nou, o maior estádio europeu e que naquela noite, lotado com quase 99 mil pessoas, esperava pra ver o clássico Real Madrid x Barcelona.



O Barça ganhou por 2 a 0.


E no final das contas, a cidade ganhou mais um fa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Más frío que en Finlandia

Essa era a manchete de um jornal desses gratuitos que distribuem no metrô na semana passada, após nevar por aqui pela primeira vez na temporada.

Ilustrando a reportagem, um gráfico com as temperaturas médias do dia anterior em algumas capitais européias. Enquanto a média em Madrid marcava 0º, Helsink, a capital finlandesa quase no pólo norte, marcava 4º.

O fato de ser cercana por montanhas e estar numa altitude superior a 600 metros, além de longe do mar, faz de Madrid uma cidade de extremos.

O calorzao eu nao cheguei a pegar. Sobrou o frio de doer os ossos que nao tem roupa que resolva, já que o rosto sempre fica de fora e eu nao tenho roupas de esqui.

Quando está muito frio dá até desânimo de sair de casa. A vontade é ficar deitado na cama, protegido dentro do quarto pelo calor do aquecedor.

Mas como a vida nao é fácil, lá vou eu entupido de roupa às 8:30 da manha, parecendo uma cebola (com várias camadas sobrepostas), em direçao à Complutense.

O bom é que eu descobri que meu casaco azul, estrela de quase todas as fotos, resiste bem. Principalmente auxiliado por luvas e cachecol. Só quero ver quando tiver que lavá-lo...

Nos últimos dias a temperatura tinha subido pra casa dos 10º, mas ontem voltou a esfriar e já nao passa dos 5º, com direito a gramados meio encubertos de neve pela manha.

Até agora resisti sem crises. Mas admito que o calor faz muita, muita falta.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Abono transportes

Esse é o meu "Abono Transportes", o bilhete único madrileño.

É uma carteirinha com foto, nome e número de identidade (no meu caso, passaporte), que dá direito a comprar um bilhete mensal de acesso ilimitado à rede de metrô, trens e ônibus da capital, de acordo com a zona escolhida.

O lance das zonas é simples. A regiao de Madrid é dividida em 4 zonas: A, B1, B2 e B3. A zona A é praticamente a cidade toda, enquanto as demais sao as regioes vizinhas e bem próximas, fora do centro urbano propriamente dito.

O abono permite usar toda a rede de transportes dentro da zona para o qual foi comprado. Como eu vivo na zona A e raramente vou a algum lugar fora, o meu abono corresponde a ela. Afinal, o preço do bilhete aumenta de uma pra outra nao tem sentido ficar desperdiçando euros.

Pra fazê-lo, a lógica espanhola: apesar de ser algo relacionado aos transportes, a carteirinha só pode ser feita nas tabacarias. Vai entender...

Depois fica fácil. É só passar o código de barras na máquina em alguma estaçao do metrô, pagar com dinheiro ou cartao e receber o bilhete na hora.

Antes de vir eu achava que nao precisaria gastar muito com transportes poque poderia ir caminhando pra qualquer lugar. Depois percebi que a menos que eu morasse no centro, onde é muito mais caro, seria impossível me deslocar sem utilizar ônibus e metrô.

O abono mensal me custa 43,50 euros. Uma facada. Achei absurdo o fato de o desconto valer por idades, e nao por profissao. Assim, quem tem menos de 21 anos paga aproximadamente metade desse valor, enquanto os demais - estudantes ou nao - pagam o valor integral.

Como o preço equivale mais ou menos a 60 passagens (compradas em bilhetes de 10 para que saiam a 0,70 euros; e 2 por dia num mês de 30 dias), resolvi comprar a partir de Outubro. Afinal seria loucura deixar de aproveitar a cidade e o tempo livre pra ficar em casa economizando. E, além do mais, tenho aula 3 vezes por semana, "prácticas" na quinta de manha e venho pra facul sempre pra poder acessar a internet e fazer os trabalhos nos computadores da biblioteca.

A vantagem do abono é poder pagar um valor fixo no início do mês e depois nao se preocupar mais com o número de passagens gastas. Inclusive graças a ele conheci muitas coisas de Madrid nos finais de semana. Acaba sendo bem aproveitado, mas nao deixa de ser um custo alto.

Esse mês, como fico em Madrid só até o dia 18, nao comprei. Em novembro enchi a geladeira e o meu quarto de comida pra nao precisar ir mais ao supermercado. Além disso, passei a trazer o almoço mesmo nos dias em que daria tempo de voltar pra casa e nao saí do quarto no feriado de ontem.

Melhor pra tentar colocar os estudos em dia.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Escorregando no português

Um deslize no mínimo cômico no português de Portugal provou que, ainda que a língua seja a mesma, as diferenças de sotaque e vocabulário sao cada vez maiores.

Estava no metrô conversando com o Diogo sobre a possibilidade de estender o intercâmbio pra aproveitar um pouco mais a viagem.

Num determinado ponto, falei que a melhor forma provavelmente seria trabalhar à noite pra ganhar dinheiro, em algum bar ou discoteca, ou fazendo uns bicos.
Nesse momento, um senhor português sentado ao meu lado me olhou com rabo de olho e deu uma remexida na cadeira.

Só entendi alguns minutos mais tarde. Quando saíamos da estaçao, o Diogo me explicou que em Portugal "fazer bico" tem o mesmo significado de "fazer boquete".

E lá se vai a reputaçao brasileira, ladeira abaixo e europa afora...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sintra


A 30 Km de Lisboa fica a cidade de Sintra, um pequeno povoado um pouco acima do nível do mar e aos pés de uma montanha.




Eu conhecia a cidade só por nome, graças a algumas minisséries brasileiras que se passavam em Portugal (Os Mayas, por exemplo), e só me interessei pela cidade quando a Bia, uma amiga uspiana que estuda em Barcelona, me falou pra esticar a viagem até lá porque valeria a pena.

E como valeu!

O distrito Sintra engloba mais que a cidade em si, e a primeira parte que conhecemos foi por sugestao do Diogo, que já conhece bem o lugar. Pegamos um trem em Lisboa até Caiscais e de lá um ônibus até Cabo da Roca.


A correria pra chegar antes do anoitecer valeu a pena, mesmo que tenhamos chegado alguns minutos depois do sol se pôr.

Cabo da Roca é o ponto mais ocidental do continente europeu. É uma espécie de pracinha com uma pequena casa e um farol, e ambos ficam à beira de uma falésia de mais de 100 metros de altura que desce de uma vez só até o Oceano Atlântico.



Alto pra caramba e totalmente isolado do mundo. Mega adrenalina pular a cerca de segurança pra tirar a foto de cima da pedra. E apesar de eu ficar a uma distância segura do penhasco e caminhar abaixado com todo o cuidado, era impossível fazer isso de forma realmente tranquila.



Além da paisagem e do clima com chuva e fortes ventos, aproveitamos a plaquinha para fazer o registro e provar a nossa "façanha".



No último dia, fomos à cidade propriamente dita. Uma outra linha de trem faz o percuso em 40 minutos e chegamos cedo pra conhecer tudo a tempo de voltar pra Lisboa e terminar as atraçoes da capital.

Sintra é muito legal! A cidade tem 3 atraçoes principais: o Palácio Nacional de Sintra, o Palácio da Pena e o Castelo Mouro.

O primeiro foi casa da família real portuguesa no século XIV, depois de ter sido muito antes uma residência moura. É pequeno e pouco luxuoso, mas interessante pela combinaçao de arquiteturas, já que com o tempo foi sofrendo reformas por parte da monarquia para que se adaptasse melhor ao estilo europeu.



O segundo fica no ponto mais alto da cidade, no topo da montanha, e abrigou a família real no século XIX. Tem uma vista panorâmica - e muito bonita - de toda a cidade, a partir de qualquer lado. E, em especial, do Castelo Mouro que fica bem próximo. A arquitetura tem claramente influência moura também, mas por dentro o Palácio já se aproxima mais do padrao europeu.



Por fim, a atraçao que eu mais gostei: o Castelo Mouro. Mais ou menos do século VII, é uma imensa construçao murada no meio do Parque Florestal de Sintra.



A parte interna está em ruínas, de modo que a visita é feita por cima das muralhas, caminhando no estreito espaço de pedra que separa o vao interior e o imenso despenhadeiro. Nao chegava a ser perigoso, mas o percurso vai subindo e oferecendo uma vista mais bonita da cidade e do próprio castelo a cada ponto de parada pra respirar.
E ventava absurdamente lá em cima, a ponto de ser necessário se apoiar nas paredes de pedra pra nao perder o equilíbrio.


Outra coisa interessante é que pra chegar é preciso percorrer um trecho de pedra, por fora dos muros do castelo e no meio da mata, com indicaçoes bem precárias e um tanto portuguesas. Praticamente um turismo de aventura.


Apesar do cansaço - fruto de intermináveis degraus e subidas - curti bastante a cidade e voltei feliz pra Lisboa depois de mais uma aventura em terras européias.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Lisboa!


Na quinta à tarde, uma viagem portuguesa, com certeza!

Fui com o Francisco, mais um amigo "madrileño", a Lisboa. Ou, em bom português de Portugal, Lishhhboa!


Foi muito interessante estar fora do Brasil e, pela primeira vez, me sentir em casa. Nao me refiro ao clima ou à cidade (que por sinal, tem algumas semelhanças com nosso país), mas em especial à língua.


Apesar do forte sotaque português, que dificulta um pouco a compreensao pra quem nao está acostumado, era bastante relaxante nao ter que se preocupar muito em traduzir as palavras e os endereços. E, o melhor: em caso de qualquer dúvida, pedir informaçao era a coisa mais fácil do mundo.


Lisboa é uma cidade surpreendente. É pequena, tranquila e agradável. Tem uma culinária muito saborosa e pessoas em geral mais simpáticas que a média européia.

E, algo que eu gostei muito: a cidade nao é plana. Tem várias ladeiras e isso cria diversos pontos de onde se tem uma bela vista do Rio Tejo, que passa ao sul da capital, e das casas coloniais.




O centro histórico de Lisboa é a cara do pelourinho baiano. Ladeiras, casas coloridas pegadas umas às outras, cheias de janelas, e ruas estreitas de pedra. Muito agradável de caminhar. Ah, e no meio do casario, um elevador com vista panorâmica!


Sem falar na estátua de Pessoa, amigo quase íntimo.



Outra atraçao da cidade é o bairro de Belém. É onde está a Torre de Belém, de onde saíam as caravelas portuguesas em busca de novas terras pra se apropriar. Incluse, foi dali que saiu Cabral há 500 anos, para desgraçar o Brasil. Tudo bem, sem mágoas.


A Torre é bonita e do alto dá pra ver um enorme Mosteiro, que fica próximo, o encontro do rio com o Oceano Atlântico, e a Ponte 25 de Março - quase uma réplica da Golden Gate.


Nesse bairro está também outro ponto turístico lisboeta. O Padrao do Descobrimento foi um monumento erguido em homenagem ao pioneirismo marítimo português. Dizem que o terceiro homem, da esquerda pra direita de um dos lados da escultura, é Cabral.


Lá de cima, mais uma vista legal. Em especial da calçada em frente, um mosaico gigaaaaante com o mapa do mundo e os lugares e as datas onde os portugueses pisaram pela primeira vez.



Nesse bairro comi os famosos Pastéis de Belém. Uma delícia!



Ah, e cumprindo a tradiçao, pegamos os bondinhos elétricos que levam do centro até lá, incluindo o modelo antigo super divertido.


No extremo oposto da cidade, o bairro do Oriente. A parte moderna de Lisboa tem um mega shopping e prédios de luxo.

As atraçoes sao o Pavilhao Atlântico, o Parque das Naçoes, a Torre Vasco da Gama - que lembra uma caravela - e a Ponte Vasco da Gama, maior da Europa. Uma pena que o teleférico às margens do Tejo estava em manutençao, mas mesmo assim foi legal andar um pouco na beira do rio.


No centro, a Praça Marquês de Pombal, perto de onde ficamos, e o Parque Eduardo VII, um jardim ladeira acima que temporariamente abriga uma imensa árvore de Natal.




E, a principal atraçao da cidade: o Castelo de Sao Jorge.



No alto de uma colina, oferece uma vista panorâmica da cidade. Lindo! E o mais legal é que o castelo é mouro. Estrutura de pedra, com uma alta muralha por onde os visitantes caminhavam.



Mais uma aula de história ao vivo, como nao há melhor.

Outra coisa legal: muitas estaçoes de metrô na cidade sao ricamente enfeitadas com trechos de livros e frases de escritores, em geral portugueses.



Fechando as principais atraçoes da cidade, a Casa dos Bicos...


...e a catedral da Sé, que lembra muito a Notre-Dame.


Pra completar, a companhia do Diogo, um amigo ecano que vive em Lisboa e foi nosso guia pelas melhores atraçoes da cidade, sempre contando a história dos lugares e nos guiando ao que a capital portuguesa tem de melhor a oferecer.


Rever os amigos é sempre muito bom! E fora do país o espírito da visita é ainda mais divertido.